Data
de 1674 uma escritura lavrada entre os oficiais da Câmara e o
povo da vila de Taubaté comprometendo-se a construírem um prédio
que seria usado como um Convento e que abrigaria os religiosos
de São Francisco, sob invocação de Santa Clara.
Seu primeiro guardião foi Frei Jerônimo de São Brás.
Apesar da boa vontade inicial, em breve arrefeceu a disposição
dos taubateanos que, absortos em seus trabalhos descuidaram das
obras. Mesmo com certas dificuldades foram concluídos os trabalhos
para a construção do convento de Santa Clara.
Após sua fundação grande número de religiosos franciscanos veio
para Taubaté. Com o prédio concluído chegou a haver mesmo várias
dezenas deles aqui estabelecidos, bem como grande escravaria doada
pelos moradores.
“Sobre
uma colina vizinha à cidade planejada com duas retas, projetou-se
a igreja conventual. Com arcos completos formando a entrada, triângulo
frontão e torre sineira, ergueu-se o edifício. Tudo na melhor
técnica de cantaria (pedra). À esquerda, o convento com pátio
interno retangular. Assim, funcionou como casa de formação religiosa”
(Percival Tirapelli -“O Convento de Santa Clara em Taubaté” –
SP Vale –1991)
Em
1765 já estava bem reduzido o número de frades; em 1832 habitavam
a casa apenas dois frades; em meados do século XIX era grande
a decadência do mosteiro
Na década de 1860, o Convento cedeu à municipalidade as áreas
correspondentes as atuais praças Anchieta e Coronel Vitoriano
(antes Largo da Palmeira).
Nessa mesma época, Augusto-Emílio Zaluar, cronista, escritor e
jornalista português, radicado no Brasil, de passagem por Taubaté,
registrou suas impressões sobre o Convento de Santa Clara em seu
livro “Peregrinação pela Província de São Paulo”:
“No
arrabalde de Taubaté, que fica para o lado de Pindamonhangaba,
nordeste da cidade, está situado em uma pequena eminência e próximo
a um regato, o convento de Santa Clara, conhecido pelo nome de
convento de São Francisco, em razão de pertencer à ordem monástica
desse nome. O edifício, se bem que não seja de dimensões gigantescas,
é todavia espaçoso, sobretudo em relação ao tamanho geralmente
acanhado das casas da cidade e a igreja ou casa de oração pode
conter cerca de mil pessoas, e é o maior edifício do norte da
província. O interior da igreja é singelo e sem grande cópia de
ornamentos de talha, como é comum nos edifícios antigos desse
gênero. É verdade, porém, que em conseqüência de um grande incêndio,
os retábulos dos altares foram reformados, e é bem possível que
nessa ocasião se reformasse também o sistema da arquitetura.”
O Convento Santa Clara iniciou suas obras por volta do ano de
1674, destinado aos Religiosos Franciscanos, à pedido do povo
da Vila de São Francisco das Chagas de Taubaté, que através de
uma escritura pública passada aos 25 de março de 1674, obrigava
Frei Jerônimo de S. Braz a construí-lo com o trabalho de três
religiosos e mais doze pessoas. Outra exigência do povo era que
o referido convento deveria ter o nome da Santa que hoje o intitula.
Após a escolha do terreno e passada a escritura, vieram à Vila,
frei Jerônimo de São Brás, apelidado de “Baleia”, frei Manuel
Leite e mais um irmão leigo. Foram nomeados seis habitantes da
Vila de São Francisco das Chagas de Taubaté para juizes da obra,
encarregados de receber e angariar os meios para a construção
do convento.
Os primeiros problemas surgiram quando os moradores da Vila perderam
o entusiasmo e deixaram de cumprir o combinado. Os frades, diante
desta questão, elaboraram um documento de queixa e enviaram ao
vigário da Vara, Mateus Nunes de Siqueira. O documento que encontra-se,
segundo últimos dados , no arquivo do Convento de Santo Antônio,
no Rio de Janeiro, compilado no livro “Tombo de Taubaté”, que
contém dados sobre o erguimento do Convento de Taubaté de 1674
a 1787. Em resposta, o vigário da Vara, em 19 de fevereiro de
1677, deu provimento favorável, encarregando o vigário de Taubaté,
padre Luis Pereira, o frei Jerônimo de São Brás, de citarem juizes
da obra para obrigar o povo o que solenemente havia prometido.
Serviu-se para isso de um oficial de Justiça Eclesiástica ou Secular,
sob pena de excomunhão maior e outras penas de direito admitidas.
A partir desta data, o Convento de Santa Clara foi rapidamente
levantado. Em 1678, não havendo madeira suficiente na região,
e diante das negativas dos moradores vizinhos em ceder as que
fossem necessárias, foi preciso recorrer ao Senado Federal, que
remeteu a seguinte resposta: “Pessoa alguma, de qualquer qualidade,
poderá impedir o reverendo suplicante de extrair a madeira que
lhe for necessária”. A igreja foi construída e o frei Antônio
da Purificação encarregado de catequizar os índios da região e
dirigi-los espiritualmente.
Desafortunadamente, ocorreu violento incêndio aos 17 de setembro
de 1842, apagado pela própria população, embora tenha ficado em
ruínas parte deste tradicional estabelecimento religioso. Sua
reconstrução se deve ao respeitável taubateano e síndico do prédio,
Victoriano Moreira da Costa, como também a sua melhoria e conservação
se deve ao Frei Caetano de Messina e Padre Francisco Cosco. De
sua arquitetura original restou apenas a interessante torre do
sino.
Em 1888, foi instalado neste local um Liceu de artes e Ofícios,
promovido por uma associação liderada pelo Juiz de Direito e Visconde
da Comarca de Tremembé e pelo vigário Nascimento Castro. Após
três anos de esforços para manutenção do convento, sem sucesso,
foi feita a transferência do usufruto perpetuo à Ordem dos Capuchinhos
que tomou posse aos 23 de janeiro de 1892.
Os trabalhos de ordem moral e social desde os primórdios de sua
existência até hoje denotam o valor desse convento para a cidade
de Taubaté: os antigos Colégio Seraphico (preparação para vocações
religiosas) e o Externato Sagrado Coração de Maria, este último
freqüentado por meninos pobres para os quais era fornecidos ensino
gratuito, livros e objetos escolares. Como resultado dos esforços
dos capuchinhos foi fundado o Colégio Santa Verônica, que dava
assistência a meninas completamente pobres.
O Convento Santa Clara se transformou em um centro de fraternidade,
caridade e modelo cristão, sendo até os dias atuais umas das razoes
de orgulho do povo taubateano e prova de sua incessante luta pelo
progresso e realizações humanitárias.
Entre 1967/68, o secular convento franciscano passou por uma série
de reformas, de que resultou sua aparência atual, para em 1986,
ser tombado pelo CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Arquitetônico, Artístico e Turístico), como patrimônio
estadual.
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