Predio do Relogio da CTI

Companhia Taubaté Industrial - CTI
 
No dia 27 de Setembro de 1938, entre as várias comemorações das bodas de ouro do casal Felix Guisard e Jeanne Guisard, constou o lançamento da pedra fundamental do Edifício Félix Guisard.

O edifício foi projetado para a instalação dos escritórios centrais da Cia. Taubaté Industrial.

Depois de cuidadosos estudos feitos pelos seus diretores, foram os planos entregues à competência de Lindenberg, Alves & Assunção, engenheiros de vasta cultura e renome, que os transformaram em magnífico projeto.

Procurando dotar a Cia. Taubaté Industrial de um edifício que pudesse comportar os grandes serviços que caberiam à administração, quiseram ao mesmo tempo os diretores dotar Taubaté de um edifício magestoso que pudesse traduzir em sua pujança o progresso da cidade.

Em homenagem ao fundador da C.T.I. o majestoso edifício foi denominado “Edifício Felix Guisard”

A primeira industria têxtil de Taubaté foi a Companhia Taubaté Industrial, fundada por Felix Guisard, líder político local, no ano de 1894, e administrada por sua própria família. A indústria dedicava-se a produção têxtil de camisas e meias, sendo estes os seus primeiros artigos produzidos. Localizava-se na Rua Quatro de Março e constituía-se de um amplo edifício. Em 1896 iniciou o serviço de fiação. Seu desenvolvimento foi vertiginoso em poucos anos, devido à abundancia de mão-de-obra e à exploração do trabalho também de mulheres e crianças, bem como o apoio político que recebia do governo municipal e estadual. A indústria absorvia a mão-de-obra de grande parcela da população taubateana, bem como de outras localidades. Distribuía a sua produção em diversas localidades do Estado de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná.

Felix Guisard utilizava o sistema de racionalização do trabalho. Posteriormente ao ano de 1907, sua produção diversificou-se com a fabricação de brins lisos e riscados, lençóis e o famoso morim “Ave Maria”. Novos prédios próximos do centro urbano vieram a se unir à primeira fábrica. Existiam em 1912, mil teares que empregavam mais de quinhentos trabalhadores.

Sendo Felix Guisard homem progressista, teve grande prestigio na cidade, demonstrando esse fato ao diversificar o capital da C.T.I com a exploração da energia elétrica, construindo em 1927 uma usina que mais tarde recebeu o seu nome. Em razão da C.T.I não absorver toda a energia produzida, Felix Guisard passou a vender parte da eletricidade para a Empresa de Eletricidade São Paulo e Rio de Janeiro que revendia para a cidade.

A crise de 1929, abalou a industria quando a firma Edward Ashworth & Cia., poderosa organização britânica que representava a C.T.I e vendia os seus produtos, entrou em crise financeira e requereu concordata. Sendo a mesma atingida duramente em seus próprios fundamentos, de um dia para o outro a C.T.I ficou responsável por quatro milhões de cruzeiros, sendo seu capital, na época, cinco milhões de cruzeiros. A solução encontrada foi a emissão de títulos “debêntures” e a maior “exploração” dos trabalhadores que obedeciam a uma disciplina patriarcal. Os funcionários passaram a trabalhar dez horas por dia, durante dois anos, sendo que duas horas eram gratuitas. Em troca dessa cooperação, o industrial proporcionou aos trabalhadores o patrocínio de festas, bailes, missas, casamentos e primeira comunhão de seus empregados, tornando-se assim um elemento educador, aumentando a sua influencia e poder sobre os mesmos.

Por ter sido uma das mais tradicionais indústrias do Estado de São Paulo, a Companhia Taubaté Industrial (C.T.I), fundada em maio de 1891, tinha mais de 2000 funcionários e produzia alguns dos tecidos mais populares do Brasil, como o “Morim Ave Maria” e o “Cretone Canário”. A C.T.I chegou a produzir 1,5 milhão de metros de tecidos de algodão por mês, mas só não faliu em 1970 porque foi comprada pela Companhia Nacional de Tecidos Nova América.

Depois de 1964, com a nova orientação do governo, os recursos energéticos da região ficaram praticamente proibidos de serem usados pela C.T.I, pois eles passaram a constituir-se em monopólio da União e de suas empresas estatais. Além disso, a indústria não se modernizou, embora sejam poucas as novidades tecnológicas desse setor.

Perdeu o fornecimento de algodão que vinha do nordeste e foi obrigada a importar da Inglaterra, de um único fornecedor (acima mencionado) que acabou estrangulando as finanças da empresa.

A indústria têxtil, explica por seus atrativos da época em que se instalou no Vale do Paraíba e durante muitas décadas constituía uma grande aspiração das correntes migratórias do campo, ávidas pelo emprego seguro e decente na cidade. Em Taubaté quase todas as pessoas com mais de cinqüenta anos trabalharam na C.T.I, que pagava um salário atrativo para as condições da época e assegurava “regalias” próprias do setor.

O que resta da C.T.I atualmente, é o relógio da torre, que foi tombado pelo CONDEPHAAT, sendo que em parte dela funciona um departamento da Prefeitura Municipal de Taubaté e em outra parte são realizados uma vez por semana apresentação e concertos de artistas da região. Pertencente a UNITAU o prédio onde funciona o Departamento de Arquitetura e Urbanismo e ao lado está sendo construído um outro prédio que será um centro cultural também de sua propriedade. Os outros prédios e quadras loteadas são de propriedade privada.

Cabe-nos aqui ressaltar que toda a concepção urbana da C.T.I foi importada da Franca (modelo radial de urbanismo) e que a construção da mesma veio alterar toda a malha urbana da cidade de Taubaté.

Apesar de tudo, ela se tornou um símbolo para Taubaté, uma das cidades paulistas mais ricas em exemplos de arquitetura colonial e um marco de transição entre o ciclo do café e da implantação industrial.

Fotos a Companhia Taubaté Industrial, nos áureos tempos de sua produção.


Companhia Taubaté Industrial


A Companhia Taubaté Industrial (CTI) foi fundada em 4 de maio de 1891. A primeira fabrica, foi construída pelo engenheiro Fernando de Mattos, foi instalada para a produção de meias e camisas de algodão. Em 1898 um incêndio destruiu parte das máquina e do edifício, mas as dificuldades foram vencidas e em 1903 a CTI passou a produzir tecidos lisos (morins), desenhos do tipo Jacquara, brins riscados e toalhas felpudas, produtos de muito consumo na época.

Em 1910 a CTI instalou a segunda fábrica, com 224 teares manuais para a fabricação de morins, com o passar do tempo tornou-se famoso o seu morim “Ave-Maria”, que tornaria o principal produto da empresa.

Em 1913 iniciaram-se os planos para a construção de uma usina hidrelétrica própria: Os trabalhos foram iniciados em 1922 devido as conseqüências da I Guerra Mundial (1914-1918) foram interrompidas. Em 14 de Julho de 1927 ficou pronta esta usina que era localizada no Município de Redenção da Serra.

Em 1929, a CTI, embora também fosse afetada pela grave crise econômica Mundial, conseguiu saldar seus compromissos, graças à colaboração de seus funcionários que concordaram em trabalhar duas horas extras por dia, até que a empresa conseguisse liquidar suas dívidas.

Durante a II Guerra Mundial (1939-1945), a CTI, sem dúvidas e com boa aceitação de sua produção, principalmente no Mercado Nacional, Viveu sua fase de apogeu chegando a funcionar com mais de mil teares, empregando cerca de 2400 funcionários, produzindo o conhecido Morim Ave-Maria; Cretones e Lençóis Canário, produtores populares, mas de boa qualidade, vendidos em grandes quantidades, movimentando elevadas somas em dinheiro o que conferia à CTI uma posição de destaque na Indústria Têxtil da América Latina.

Em 1953 a CTI foi vendida para Claudino Veloso Borges, em 1970 foi novamente vendida para a Companhia Nacional de Tecidos Nova América com sede no Rio de Janeiro.

A CTI continuou em plena atividade até o início da década de 1980, encerrando suas atividades em outubro de 1983.

A Companhia Taubaté Industrial (CTI) foi um pólo industrial no Vale do Paraíba Paulista. A empresa modelo, que manteve no passado uma usina hidrelétrica própria; Creche escolar, clube social com grupo teatral e orquestra; coorporativa; estádio de futebol, jornal, banda de Música e colônia de férias para operários em Ubatuba, tornou-se apenas uma lembrança do que foi um dia.

Prof. Wanderlan R. Filho