Taubaté,
tradicional cidade do Vale do Paraíba paulista desempenhou
relevante papel na evolução histórica e econômica do país.No
segundo império, no auge da produção
cafeeira do Vale do Paraíba,
foi destaque como o município de maior produção
na zona paulista.
Após superar graves períodos de crise econômica
e social, Taubaté projeta-se como centro industrial,
pecuarista e rizicultor, além de ter significativa
função cultural como Cidade Universitária
do Vale do Paraíba.
Os ciclos econômicos e as diferenciações
étnicas do povoamento imprimiram traços contrastantes
e pitorescos na sua fisionomia
urbana de cidade tricentenária e na alma de seu povo.
Igrejas coloniais e antigos solares permanecem testemunhando
outras eras,
ao lado de modernos edifícios.
O acervo de tradições, os hábitos populares
e as manifestações folclóricas conservam-se
ainda, impregnadas das influências do colonizador
branco, do negro dos cafezais e do ancestral indígena.
O “passado” e o “presente” em equilíbrio
harmonioso tornam
Taubaté uma cidade alegre, sem austeridade, mas com
o aspecto acolhedor das velhas cidades que têm muito
o que contar.
Foi núcleo irradiador de bandeirismo, destacou-se no surto
cafeeiro e após superar graves períodos de crise econômica
e social,
Taubaté projeta-se como centro industrial, pecuarista e
rizicultor, além de ter fundação cultural como cidade universitária.
Os ciclos econômicos e as diferenças étnicas do povoamento
imprimiram traços contrastantes e pitorescos na sua fisionomia
urbana
e na alma de seu povo.
Centro Folclore
Cidade Tri-centenária, com rico acervo de tradições, usos
e costumes populares, Taubaté foi considerada “um dos maiores
centros folclóricos do país” por deliberação I Congresso
Brasileiro de Folclore, reunido no Rio de Janeiro, em agosto
de 1951.
A variedade e os aspectos peculiares das tradições e do
folclore taubateano resultaram dos contatos entre as culturas
indígenas,
branca e negra, das influências do meio e, da criatividade
de nossa gente.
Apesar da modernização dos costumes e da evolução sócio-econômica
e cultural de Taubaté, permanecem ainda tradições e manifestações
folclóricas que formam precioso acervo de cultura espontânea;
que traduz em variadas expansões da alma popular:
nas alegres festas juninas e no farto repositório de crendices;
nos ritmos contagiantes do Moçambique, cateretê, jongo e
nas tradições festas religiosas; na deliciosa ingenuidade
da cerâmica popular e num “sem fim” de outros costumes pitorescos,
testemunhos de um passado ainda presente, embora às vezes,
como novas características que o tempo lhes dá.
É uma herança que encerra idéia, pensamentos, usanças, sabedoria
e espírito criador do povo, devendo ser representada “de
modo
que as gerações futuras se legue o acervo recebido, mesmo
que as gerações atuais lhes dêem seus traços, ou impregnem
de sua
própria criação”. (M. Diegues Júnior – 1976:9)
O reconhecimento do folclore como ciência e, das manifestações
folclóricas como expressões da cultura espontânea de um
povo, de
sua maneira de pensar e agir, sem influência eruditas, tem
incentivado no país, estudos e pesquisas, divulgação e movimentos
culturais
que visam interpretar essas manifestações, conhecer os traços
da cultura material e espiritual do povo brasileiro, e conhecer
aquilo
que é autenticamente nosso.
O fato folclórico que tem como características essenciais
a espontaneidade, a aceitação do povo e a autenticidade
– podendo ou não,
ser anônimo e tradicional – é dinâmico como todo o fato
cultural, podendo modificar-se ou desaparecer, no processo
da evolução social. Disso recorre a importância de seus
registros.
O folclorista Américo Pellegrini Filho (“Estado de São Paulo”
– 1977) afirma: “os registros são fundamentais para efeitos
de estudos do povo. Só assim poderemos daqui a anos saber
como era determinada manifestação folclórica, caso ela tenha
desaparecido ou transformado. Afinal, folclore também faz
parte da memória nacional”.
Acervo
Cultural
Observações realizadas com o intuito de fazer o levantamento
dos fatos históricos e das tradições remanescentes em Taubaté,
como contribuição ao seu estudo, possibilitaram o registro
aqui apresentado, de forma objetiva, sem pretensão literária
ou de erudição:
• Entre os grupos coreográficos musicais de cunho religioso
ou profano, destaca-se os de moçambique, cateretê ou catira,
cana verde, quadrilha, dança da fita e, mais raros, os que
dançam jongo.
• Tradicionais festas religiosas marcam o calendário cristão
na cidade e na roça: festa de Santa Cruz, da Imaculada Conceição,
de Santana, de são Benedito, do Divino e festas juninas.
• A dança de São Gonçalo é realizada para pagar promessas
e homenagear o Santo.
• No Natal, bonitos presépios à moda antiga são “armados”
nas igrejas, capelas e moradias cujas famílias preservam
a tradição.
É o tempo da cantoria das “Folias de Reis” que visitam os
presépios louvando o “Senhor Menino”.
Na
arte popular, mantendo antiga tradição, os “figureiros”
e “santeiros” modelam em argila figurinhas singelas e expressivas,
retratando aspectos do povo, animais, crendices, cenas de
Natal e santos de devoção popular. Escultura em madeiras
e pintura ingênua também aparecem como expressões artísticas,
assim como apetrechos de presépio: lapinhas, casinhas, flores
de papel.
•
Os ervateiros praticam a medicina popular, no largo do Mercado
Municipal, onde vende variada e pitoresca mercadoria constituída
de plantas que curam, óleo, banhas, pele, ossos de animais
e implementos de curandeirismo.
• Nos bairros e na roça, os violeiros alegram com suas cantorias
e desafios, os festejos onde o povo se diverte, como pau-de-sebo,
o quebra-pote, corrida no saco, porco ensebado, cavalo-russo
e outros folguedos.
• É farto e pitoresco o repertório de crendices, superstições,
estórias repetidas por gerações, principalmente nos lugares
onde as “rodinhas”para contar “causos”não sofrem a concorrência
do cinema, televisão e outras modernas formas de diversão.
• Na étnica popular merecem referencia a habilidade e imaginação
empregadas na confecção de numerosas peças utilitárias ou
de
enfeites: cestas, balaios, peneiras de taquara, esteiras
e redes de taboa: gamelas e pilões de madeira; utensílios
e brinquedos de lata; canastra, laços, arreios e outros
objetos de couro, pecas de chifre, de cobre, colchas de
retalhos, de crochê, bolsas e flores de palha de milho.
• Outros curiosos aspectos folclórico, peculiar a Taubaté
é a Breganha ou Barganha, realizada aos domingos de manha,
atrás do
Mercado Municipal, onde se vende ou troca uma impressionante
variedade de objetos usados e novos, aparecendo, não raras
vezes,
peças antigas de real valor.
Apresentando
aspectos tão variados e pitorescos, contribuem as manifestações
folclóricas em Taubaté, importante patrimônio cultural
de tradições, usos e costumes brasileiros, com raízes em
nossa formação histórica, nos fatores de aculturação e adaptação
ao meio.
É um complexo cultural que em muito da criatividade de nossa
gente.
Na sua autenticidade, vivencia e singeleza traduz a alma
do povo de que é precioso repositório.
Aspectos
do Folclore em Taubaté
Maria Morgado de Abreu
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