Histórico
Completo de Taubaté
O
nome do povoado de Jacque Felix é originado do vocábulo
indígena e tem sido grafado de diversas formas, tais como:
TAOBOATHÉ, TAYBATÉ, THAUBATÉ, TABUATHE, tendo recebido diversas
interpretações: Taba (aldeia) e eté (legitima, verdadeira)
significando o aldeiamento principal; Tauá (barro e eté,
isto é: o barro legitimo, o barro bom, Ita (pedra) e Ybaté
(altura, píncaro): pedra alta; possível referência à Pedra
do Baú, avistada de certo ponto de Taubaté (1). Entretanto,
apesar dessas interpretações o vocábulo TAUBATÉ é considerado
como uma corruptela de Taba – eté: aldeia considerável,
povoação legitima, verdadeira.
(1) Interpretação de cunho geo-físico, o médico e tupinólogo Hugo Di Domenico (1976-1979). Dentro da configuração “kainjgang” apresenta várias suposições, entre elas: ta (lugar), ua (bosque), eti (muito): lugar de muito bosque. Antes mesmo de se ter iniciado a exploração da região, o Vale do Paraíba tinha sido alvo de bandeiras tendo como sua antecessora a de Martin Afonso de Sousa. Toda a região do Vale do Paraíba foi devassada. O rio Paraíba, na época conhecido como Sorobis (1596), constitui-se em um dos caminhos naturais utilizados pelos bandeirantes. As suas margens foram concedidas as primeiras sesmarias, marcando o inicio da fase de povoamento (1620). |
| A primeira concessão
de sesmaria que se conhece, foi a dirigida a Jacques Felix
e seus filhos, concedida pelo capitão-mor de São Vicente,
a 21 de novembro de 1628. em 20 de janeiro de 1636, o mesmo
Jacques Felix, a mando do capitão-mor e governador da Capitania
de Itanháem, Francisco da Rocha, recebeu ordens para explorar
o sertão de Taubaté, com o objetivo de ampliar as terras da
Condessa de Vimieiro, descobrir minas, pacificar índios já
habitantes da região e demarcar as terras da Condessa, construindo
fazendas e benfeitorias. São essas as primeiras concessões
oficiais de terras, como consta em documentos da época. Jacques Felix e sua família deslocaram-se para as terras concedidas levando grande número de índios de sua administração, sertanejos da nação Jerominis e Puris, bem como, famílias já constituídas, para garantia da real posse da terra e inicio de povoamento, permitindo assim a exploração econômica efetiva do Vale do Paraíba. Localizava-se em Taubaté uma aldeia de índios Guaianás que se autodenominavam Itaboaté. Constam de documentos oficiais que Jacques Felix fundou Taubaté sobre os escombros de uma antiga aldeia indígena por ele conquistada. O próprio nome de Taubaté tem sua origem nessa conquista: “Taba principal e legitima”. Taubaté tornou-se centro irradiador do bandeirantismo. Em junho de 1639, foi concedida a Jacques Felix uma légua de terra para o rocio da vila e uma provisão lhe confirmando os direitos de exploração da região. O mesmo documento doava terra aos demais moradores que viessem a se estabelecer na antiga aldeia indígena. Escolhido o local foi traçada a futura Vila que constava de dez ruas que se cruzavam em ângulo reto, com traçado em forma de “tabuleiro de xadrez”, seguindo modelo espanhol de urbanismo. A 5 de dezembro de 1645 Taubaté foi elevada a categoria de Vila, recebendo o nome de São Francisco das Chagas de Taubaté. Concomitantemente um ano após, foram nomeados juizes ordinários e oficiais da câmara, atestando a efetiva vida sócio-econômica de Taubaté, baseada no apresamento de índios e sua conseqüente venda para os engenhos açucareiros da Capitania. Existia, nessa época, uma policultura de subsistência constituída principalmente pelo milho, mandioca, cana-de-açúcar e criação de gado, ao lado de moinhos de trigo e engenhos de açúcar; tais atividades econômicas eram mantidas pelo braço escravo, negro ou indígena. A Vila de São Francisco das Chagas era composta por casas rústicas de pau-a-pique cobertas de palha. Estas construções eram mais densas, no inicio, entre a Banda do Tanque e a Matriz, tornando-se mais dispersas à medida que se afastavam do centro. A Bica do Bugre (atualmente denominada Chafariz) onde hoje se localiza o Mercado Municipal, abastecia de água a população. O primordial fator de desenvolvimento de Taubaté foi o de ter sido o primeiro povoado no Vale do Paraíba paulista e passagem obrigatória entre São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, nos períodos de desbravamento, nos ciclos de caça ao índio e mineração. Taubaté tornou-se centro de abastecimento das zonas de mineração e das tropas que transitavam o Vale ou demandavam o litoral de Ubatuba. A vida agrícola de Taubaté era ativa porém difícil devido à carência de mão de obra masculina, uma vez que se ocupavam da epopéia do bandeirismo. A única modificação urbana da cidade ocorreu em seus telhados que mudaram da palha para as telhas de barro. Sua evolução urbana foi lenta, nessa época, desde que elevada a categoria de Vila, pois sua primitiva área urbana permaneceu a mesma até a década de 1830. Associado ao espírito de progresso cresceu o espírito religioso dos taubateanos que almejavam pela vinda de um convento às suas terras. Fomentado por franciscanos, no ano de 1674, o convento Santa Clara deu inicio às suas obras, denominado inicialmente por Mosteiro de São Francisco. O Convento foi um marco de fervor religioso da época como também contribuiu para o aumento da área urbana, uma vez que sua construção localizava-se numa pequena elevação na periferia da Vila, atraindo para esta zona outras construções que se ergueram linearmente naquela direção. Sucederam-se a ele, oratórios nas capelas das fazendas e nos arredores da vila. A Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos data de 1705, funcionando primeiro na Igreja Matriz, transferindo-se após para o largo Rosário, onde hoje se localiza junto a Casa do Bispo. Taubaté também sedia a mais antiga Igreja do Sagrado Coração de Jesus no Brasil, inaugurada em 2 de abril de 1713. No ano de 1725 teve inicio a construção da Capela do Pilar, hoje Museu de Arte Sacra. Em 7 de fevereiro de 1753, a Capela da Nossa Senhora da Piedade. Em 1757, funda-se a Ordem Terceira de São Francisco. Tudo isso vem denotar o espírito religioso do taubateano bem como a influência da religião católica na organização da sociedade. Ponto de partida das bandeiras, a Vila era intensamente fiscalizada no que se refere aos descaminhos do ouro. Taubaté primeiro sediou a Casa dos Quintos e a seguir a Fundição de Taubaté. A primeira, criada logo após o aparecimento do outro, com o objetivo de impedir a sonegação, cobrando parcela e registrando o metal descoberto. A segunda mandada erigir por D. João V inaugurada em 1697, fundia o ouro minerador, cobrando-lhe o “quinto real”. Mesmo assim, a Vila sonegava ouro. Em razão disso, Portugal determinou em 1792 que ela fosse aparelhada com máquina de cunhar, o que não foi possível por problemas técnicos (dificuldade de transporte-peso). Sendo assim, em 1704, Lisboa extingue a Fundição de Taubaté, criando outra em Parati, onde o maquinário ficou “encalhado”. Com a abertura, em 1702, de um novo caminho de ligação entre Rio e São Paulo, o “caminho velho” que ligava Parati a Serra da Mantiqueira, via Taubaté, foi relegado. Com a perda do monopólio de exploração das minas pelos bandeirantes (Carta Real de 1705) e conquista do monopólio pelos Emboabas, resultou um verdadeiro colapso econômico para o Vale do Paraíba e conseqüentemente para Taubaté. O único caminho viável tornou-se o cultivo da terra. Iniciou-se aí a agricultura de subsistência. O crescimento de Taubaté ocorreu durante o surto cafeeiro, de grande importância para sua história, pois foi determinante para o seu desenvolvimento, diversificando as funções da Vila. A produção de 108 fazendas taubateanas, diversificadas (açúcar, aguardente, café arroz, feijão, milho, farinha de mandioca), comprovam esse fato. Porém, a lavoura cafeeira apresenta-se como agente motor da vida da região, desde a sua instalação definitiva às margens do Rio Paraíba em 1830, estendendo sua influencia até pouco depois da grande crise de 1929, mesmo que constituindo-se em uma lavoura decadente desde 1870. Apesar da conjuntura critica desse período (1838), Taubaté se destacava entre as Vilas Valeparaibanas, e por esta razão, a 5 de dezembro de 1842, através do decreto provincial número 5, passou a categoria de cidade. Neste momento, como em épocas anteriores e posteriores, Taubaté teve seu território alterado várias vezes, através de incorporações e desmembramentos sucessivos de várias áreas vizinhas (Pindamonhangaba, São Luiz do Paraitinga, Caçapava, Buguim, redenção, Tremembé e Quiririm). Em 1854, Taubaté atingiu uma alta cifra de produção cafeeira, fator esse preponderante para o progresso da cidade. Em 1855, foram criadas duas colônias de imigrantes portugueses e italianos, Independência e “Paraíso”, encaminhadas à região pela empresa Monteiro & Filhos, que não ultrapassavam de 60 pessoas. Em 1861, foi criado o primeiro jornal taubateano “O Taubateense”, propriedade do impressor Francisco Xavier de Assis refletindo as ideologias originadas nas academias da época, nos liceus, nos clubes e nas reuniões cientificas e literárias. Foi fundado o colégio São João Evangelista em 1862. Dois eventos que denotavam a preocupação do taubateano com a educação e cultura. Em 1871, teve inicio a decadência da cafeicultura na região. Paralelamente à crise cafeeira, proliferavam o quadro de profissionais liberais ativando assim o comercio. Com o êxodo rural gerado pela queda do café, a mão de obra tornou-se numerosa e barata, impulsionando o homem pobre para a cidade, aumentando assim o exercito de miseráveis no sitio urbano. A cidade ganhava vida, seus problemas sociais, econômicos e espaciais tornaram-se centro de atenção tanto por parte daqueles que estava, perdendo o poder (os fazendeiros decadentes) como também por parte daqueles que estavam apossando das cidades, o próprio Estado Republicano, representado pelos Intendentes Municipais. O sitio urbano transformou-se devido ao crescimento populacional que exigia transformações espaciais que permitissem que a sociedade sobrevivesse mesmo que miseravelmente sob o controle do Estado. Surgiu daí a necessidade de se redimensionar a cidade por meio do poder publico segundo a nova ordem republicana. O centro da cidade passou a ser um lugar privilegiado de atuação do Estado. As ruas começaram a ser calçadas e pavimentadas. O poder público avançava sobre os diferentes setores da vida da cidade. A construção de prédios novos e reformas dos velhos passou a fazer parte do cotidiano de uma cidade que se povoava. Surgiam depósitos de materiais de construção, olarias a vapor, arquitetos e empreiteiros e, igualmente, nessa época foi instalada a Companhia Edificadora Progresso, iniciando-se no setor e gerando empregos. A Cadeia e a Igreja Matriz sofreram reformas nesse período. A construção da Estrada de Ferro Pedro II aconteceu no ano de 1876, destinada muito mais ao transporte da produção cafeeira do que de passageiros, fazendo ligação com os dois principais centros urbanos do país, ou seja, São Paulo-Rio de Janeiro. O antigo Teatro São João construído em 1878, foi a mais afamada casa de diversões existentes no Vale do Paraíba, intensificando a vida social da cidade com a vinda de várias companhias de teatro dando inicio às primeiras criações teatrais da região do Vale do Paraíba. Foi inaugurada em 1878, a navegação a vapor do Alto Paraíba, com percurso entre Cachoeira e Quiririm, que constituía um meio de transporte de mercadorias e ao mesmo tempo propiciava lazer aos taubateanos. Construída e fins do século XIX, estilo “rococó”, a Capela de Nossa Senhora do Bom Conselho, fundada em 1879 pela Congregação das Irmãs de São José, fazendo parte do Colégio do mesmo nome que se destinada à educação de meninas. Posteriormente, o Colégio Americano de Taubaté. Em 1880 bondes a vapor passaram a ligar Tremembé/Taubaté, cuja finalidade era principalmente transportar xisto e tijolos produzidos em Tremembé (Companhia de Bondes a Vapor Taubaté-Tremembé). Os meios de transporte que se utilizavam das estradas municipais passaram a ter destaque. As linhas de “carris urbanos” de tração animal foram instalados a partir de 1881, com a finalidade de transportar trabalhadores e cargas destinadas às pequenas industrias nascentes localizadas perto dos centros urbanos, tendo como marco a Igreja Matriz. Os carros corriam sobre trilhos que foram assentados em varias ruas em 6 de março de 1881. Taubaté era uma cidade constituída de uma sociedade cuja atividade intelectual era intensa. Prova disso foram a quantidade de empresas jornalísticas que sediou: “Jornal de Taubaté”, “Recreio”, “17 de Agosto”, todos inaugurados no ano de 1883, entre outros que se sucederam posteriormente. O espaço urbano taubateano já vinha se redefinindo entre 1870 e o final do século, conjuntamente com a decadência do poder dos grandes “Barões do Café” e a implantação do poder republicano. A micro-migração impulsionou o homem pobre para a cidade, aumentando o exército de miseráveis sem emprego e que paradoxalmente emprestavam não só a sua miséria para o sitio urbano, mas também suas próprias vidas. Como uma cidade pobre, a violência constituía em um dos traços mais importantes do seu cotidiano, razão pela qual percebeu-se a necessidade de iluminação das ruas. Uma vez que o município tinha instalado em seu território uma companhia de gás, o serviço de iluminação pública surgiu em 07.09.1884. Taubaté contava com uma população que procurava um meio para sobreviver em um espaço que oferecia diminutas oportunidades de emprego. O crescimento da cidade e a necessidade de implantação de serviços urbanos mesmo que rudimentares, permitiu que fossem oferecidas pequenas colocações para o agrupamento concentrado na cidade, como por exemplo lixeiro, carteiro, etc. os órgãos administrativos municipais também ofereciam empregos burocráticos, preenchidos pela elite alfabetizada local, com a finalidade de racionalizar a administração do município. Os funcionários públicos se constituíam em um exercito vital utilizado no domínio da cidade, no sentido de legalizar a ação do Estado. Foi feito um levantamento entre 1886 e 1887, onde se verificou que existiam em Taubaté 340 estabelecimentos comerciais e industriais diversificados, destacando-se as seguintes indústrias: funilarias, chapelarias, fabricas de cerveja, foguetes, aguardente, loucas de barro, telhas, tijolos, etc. existiam também casas de prestação de serviços e casas de artesãos. Para os pequenos comerciantes e negociantes, a interferência municipal acontecia através de incentivos e restrições, cobranças de impostos cada vez mais detalhados, todos diretamente relacionados com o abastecimento do centro urbano da população que ao sair do campo perdera a capacidade de se reabastecer de alimentos que anteriormente produziam. Um dos eventos comerciais importantes para a cidade, fator gerador de empregos foi a inauguração em 1887 da Cervejaria União, mais tarde denominada Destilaria União. Denotando o progresso, as edificações, os terrenos vagos entre os prédios tornaram-se cada vez mais raros, facilitando a instalação de melhorias publicas, tais como: aterros, esgotos, luz, água. O abastecimento de água (1888) tornou-se um dos principais focos de atenção para uma cidade que contava com poucos chafarizes. De acordo com os registros históricos, verifica-se que a vida sócio-cultural de Taubaté destacava-se entre as cidades do Vale do Paraíba. As corporações musicais “Filarmônica Taubateense” e “João do Carmo” participavam ativamente das festas religiosas e profanas. Surgiram a partir de 1889, clubes carnavalescos e agremiações artísticas e litero-musicais que ampliavam as opções de lazer. Aconteciam no “Clube Taubateense”, com sede no palacete da Baronesa Pereira de Barros, situado no Largo da Matriz, na década de 1890, concorridas reuniões da sociedade taubateana, onde a elite da cidade participava de “soirées” dançantes, recitais e reuniões culturais. Ainda preocupados com o problema dos esgotos, a maneira pela qual os dejetos era conduzidos para fora da cidade, demonstravam por si mesmo a evolução urbana da cidade. A preocupação da administração municipal sobre o problema em 1890, restringia-se aos caminhos naturais que conduziam os detritos, representados pelos ribeirões do Convento Velho e do Coréia. E as valas que faziam a ligação entre o sitio urbano e os referidos ribeirões, propunha uma ação de desobstrução desses “caminhos naturais”. O ano de 1891 destacou-se por grandes e importantes acontecimentos que viriam a transformar ainda mais a vida da cidade: inauguração da Companhia Edificadora Progresso (07/02/1891), que se incumbiu de expandir a malha urbana construindo novas casas e edifícios e demolindo e reformando outros (Igreja da Matriz e Cadeia já citados anteriormente); fundada em 1891 a Colônia de Quiririm com cerca de 400 italianos que dominavam o cultivo de milho, feijão, arroz, farinha, batatas, café e alimentos triviais, abastecendo e reforçando o desenvolvimento das chácaras e conseqüentemente o sitio urbano. Progredindo com o seu trabalho, conquistaram o comércio local, diversificando suas atividades. Com a exploração e comercialização do café e o capital acumulado na utilização de uma economia que o café propiciou ser monetária, os fazendeiros passaram a entrar em contato com a realidade urbana e se interessar em diversificar a aplicação do dinheiro em atividades industriais, bancarias e comerciais. Com a sustentação de despesas gerais que tornariam proveitosa a manufatura nacional. Esse foi o elemento principal que permitiu a industrialização na cidade. A aplicação do capital cafeeiro tornou-se anda mais canalizado para a indústria devido à conjuntura internacional que ditou a queda da cotação do preço do café, fazendo com que a elite econômica optasse pela industrialização com a constituição de um mercado para produtos industriais na região São Paulo-Rio de Janeiro (café, açúcar e agropecuária). A elite político-econômica urbana progressista, prestigiava a abolição do trabalho servil e a disposição dos bancos que emprestavam capital aos fazendeiros decadentes. A industrialização passou a ser considerada a “esperança da regeneração”. Em 1893, as valas e riachos tornaram-se insuficientes para conduzirem os esgotos da cidade e a ameaça de epidemias rondava a cidade, surgindo assim a necessidade de se canalizarem os esgotos. Junto com os problemas de canalização dos esgotos, os problemas de higiene da cidade passou a chamar a atenção, culminando com uma epidemia de varíola em 1893 e, posteriormente a peste bubônica. Com o aumento da população pobre urgia a construção de um lazareto para o cuidado dos carentes e doentes, o que não aconteceu. Somente em 1898, a cidade cria sua repartição de higiene para fiscalização e controle. O que ocorreu somente em 1901, através de um contrato de instalação da rede de esgotos. Em 1902, o domínio do espaço pela medicina ligado diretamente ao poder municipal, fundou o Serviço Sanitário Taubateano com o poder de dirigir/inspecionar o abastecimento de água, a canalização dos esgotos e águas pluviais, a drenagem de solos pantanosos, a arborização das ruas e praças, o calçamento e a irrigação das vias públicas. A policia sanitária foi organizada e reservava a si o direito de inspecionar as habitações particulares e coletivas, estabelecimentos comerciais e industriais, assim como a alimentação pública. Os bancos sempre foram bem vistos pela elite político-econômica urbana de Taubaté e ganhava força dentro da máquina política local, a qual em razão disso, apoiava o desenvolvimento bancário na cidade. Os bancos que se propunham a auxiliar o desenvolvimento agrícola era duramente criticados pelos “progressistas”, que os acusavam de financiar lavouras decadentes. Apesar disso, foi fundado um banco de custeio rural, com participação minoritária dos poderes públicos (1907 – Banco Popular de Taubaté). Apesar do risco assumido pelo banco em negociar com o mundo rural, isto não afetou a sua credibilidade como casa de negócios. Pouco a pouco o banco voltou suas operações para a cidade que se industrializava, na expectativa de bons negócios, pois os empresários progressistas precisavam de capitais para desenvolver suas pequenas fabricas, cujas origens eram artesanais e se desenvolveram em razão de suas relações com a burocracia publica que se beneficiava com essa modernização. O poder publico acreditava que o desenvolvimento industrial era um caminho viável para a cidade. Por essa razão fornecia benefícios as industrias, tais como: isenção de impostos industriais e prediais por dez anos, intervenção junto à Alfândega Portuária para liberação de máquinas e doação de terrenos. Prova desse fato foi a inauguração da primeira industria têxtil de Taubaté, em 1891, ou seja, a Companhia Taubaté Industrial, Fundada por Felix Guisard, líder político progressista. Suas atividades produzindo camisetas e meias e, posteriormente começou o serviço de fiação em 1896. Tornou-se umas das grandes indústrias nacionais. Em conseqüência a todo esse desenvolvimento urbano, outros acontecimentos importantes se sucederam: fundada a Associação Artística Literária (01/12/1895); inaugurado o Hipódromo Taubateense (1897); inaugurado o Liceu de Artes e Ofícios (1897), atual Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Taubaté. No ano de 1900, Taubaté tornou-se o maior produtor cafeeiro no Vale do Paraíba, tendo enorme progresso e ganhando grande importância e influencia na vida econômica, política e social do Império, de onde surgiu a denominação dos fazendeiros de café “Barões do Café”, também conhecidos como “coronéis". Em 26 de fevereiro de 1906, a cidade sediou o “Convênio de Taubaté”, famosa convenção cujos objetivos eram a valorização do café, regularização de seu comercio, promover o aumento do consumo e criar a caixa de conversão. Varias indústrias foram nas primeiras décadas do século em Taubaté. Em 1908 a cidade concentrava as seguintes indústrias: refinações de açúcar, beneficiadoras de café, torrefadora de café, fábrica de carros de tração animal, fábrica de louças, fábrica de cerveja, uma fundição, fábrica de licores, fábrica de massa alimentícia, fábrica de óleos minerais, fábrica de sabão. O desenvolvimento industrial não só alterou o espaço urbano da cidade como também foi responsável pela introdução de uma gama de realizações. A maior delas foi a instalação de uma rede distribuidora de energia elétrica em 25 de janeiro de 1913, pela Empresa de Eletricidade São Paulo-Rio de Janeiro. Inaugurado em 1914 o Hospital Santa Isabel de Clinicas, construído pela Irmandade de Misericórdia Desempenhou relevante papel social em sua época, atendendo gratuitamente todos aqueles que não dispunham de recursos econômicos. Inaugurado em 1914, o Esporte Clube Taubaté (fundado por Eugênio Guisard, irmão de Felix Guisard, em 1898 com a denominação de Centro Operariado Católico, organizado pelo operariado da C.T.I. e dirigido pela elite industrial e intelectual da cidade, sendo posteriormente denominado de Centro Recreativo de Taubaté, e mais tarde, em 1938, passou a denominar-se Taubaté Country Club, passando a categoria de clube de campo), sendo atualmente pertencente a elite politico-econômica da cidade. O Esporte Clube Taubaté, antiga denominação, foi construído auxiliado pelos cofres municipais, desenvolvendo atividades esportivas: futebol, ciclismo e boxe. Nos seus primórdios servia à classe operaria sendo mais tarde restrita à elite que poderia se filiar a este clube. Fora dos muros dos clubes, homens pobres roubavam o monopólio dos esportes modernos da elite praticando-os nos terrenos vagos da cidade. Três anos depois, inaugura-se em 1917, o Ginásio Municipal. Surge uma segunda industria têxtil na cidade, em 1924, vindo a influenciar o espaço físico e os homens pobres de Taubaté: a Companhia Fabril de Juta Ltda., próxima ao sitio urbano. O centro urbano próximo às duas grandes indústrias passou também por transformações, mudando a sua paisagem com o surgimento de bares, hotéis, teatros e restaurantes que repartiam os salários dos pobres. Os terrenos junto às indústrias também valorizavam-se e as antigas casas construídas no auge do café, foram divididas dando origem posteriormente às habitações coletivas. Felix Guisard, homem progressista que tinha um indiscutível prestigio na cidade, diversificou o capital oriundo da C.T.I. dedicando-se à exploração de energia elétrica, para isso construindo em 1927 uma usina que mais tarde receberia seu nome. Seu objetivo era o abastecimento da própria indústria e, por ser a indústria incapaz de consumir toda a eletricidade produzida, passou a vender parte da eletricidade para a Empresa de Eletricidade de São Paulo-Rio de Janeiro que revendia para o município. O industrial aumentou o seu poder sobre os trabalhadores, promovendo festas, bailes, missas, casamentos, primeira comunhão de seus empregados, assumindo assim, papel de educador. Com a derrocada total do café em 1927, a agricultura se desenvolveu com a abertura da Rodovia Presidente Dutra, que ligava São Paulo-Rio de Janeiro, ativando a circulação e beneficiando o que restava da economia regional, ou seja, a economia industrial, rizicultora e pecuarista. Foi inaugurado em 1932 o Ginásio Estadual. Surge também nesse mesmo ano, a Cia. Predial de Taubaté, responsável por varias obras residenciais além de melhoramentos importantes para o crescimento da cidade, tais como a canalização do Córrego Sagüiru, aterros da Praça Santa Terezinha, da atual Avenida Juscelino Kubtscheck, da Eletro-Radiobraz, em frente ao Fórum, além de vários loteamentos e chácaras. A Cia. Predial de Taubaté foi importante para a transformação urbana de Taubaté. Construiu bairros operários patrocinados pelas indústrias C.T.I. e Cia. de Juta Ltda. além de diversos bairros (Boa Vista, São Jose, bairros dos bóias-frias - agregados de antigas fazendas ou antigos escravos – mais afastados dos centros urbanos). A modernização de hábitos e consumos restringia-se unicamente à parcela da população que estivesse ligada à produção industrial ou que vivesse nas vizinhanças do centro urbano. As casas comerciais representavam o centro disseminador dos novos hábitos, assim como as fazendas e sítios dominados por estrangeiros. O Mercado Municipal representava o espaço em que o trabalhador rural e urbano se uniam para comercializarem o seu produto (caipira) ou se excesso (homem urbano),na base da compra ou da troca. Ao se modernizar, Taubaté preferiu adicionar à estrutura do poder, os estrangeiros os seus descendentes em detrimento à parcela pobre da população que ficou preterida. As colônias de imigrantes portugueses, italianos, árabes, passaram a ter maior representatividade social. A composição social de Taubaté fora mantida, porem a “classe média” local começou a existir a partir da presença do imigrante urbano. Seria errado pensar que Taubaté teve um grande desenvolvimento econômico por este período. Poucos grupos se enriqueceram com a industria pois ainda não era um processo forte e seqüente, uma vez que contava com mão-de-obra barata e não a mais moderna mecanização. A indústria foi uma importante fonte de emprego. O poder público foi mais um apoio do que uma base para o crescimento do parque industrial. Escolas, clubes, times de futebol, irmandades religiosas, varias instituições, indústrias, comercio diversificado, pequenas fabricas etc. Atestam um estilo de vida urbano ligado ao mundo não agrícola. Após o ano de 1932 até os dias atuais. Taubaté atraiu varias indústria e iniciativas privadas para o seu sitio urbano, atestando o seu constante desenvolvimento, embora de forma lenta, porém progressiva. E hoje o triunfo da alternativa industrial de Taubaté se apresenta pela “maneira” como houve a superação de um tipo de estrutura econômica por outra, ainda que a modernização tenha sido pobre. Taubaté, nos dias atuais, apresenta um constante crescimento confirmando sua posição dentro do cenário brasileiro por meio de um projeto de expansão industrial e cultural de grande porte, com perspectivas de desenvolvimento, objetivando a sua participação no Mercosul e em outros mercados externos. |

Não encontrou a informação que queria: então
entre em contato conosco

Familia Guisard