Caminhos da História.

Comunicação da Câmara do Rio de Janeiro de resolução de fazer aclamar D. Pedro Imperador do Brasil. Ofício à Câmara de Vila de Taubaté (17 set. 1822)
Ilustríssimos Senhores:

Depois da nossa Carta circular de 7 do corrente, a opinião dominante de investir o Príncipe Regente no exercício de todos os atributos do Poder Executivo, que pela Constituição lhe devem competir como o Rei Constitucional, na forma que espendernos naquela Carta, tem-se exaltado tanto nesta Cidade, que tudo nos anuncia que o Povo, e Tropa se dispõem para apressar a Sua Aclamação; por tal forma, que a noite passada foi o mesmo Senhor recebido no Teatro com as seguintes vozes de universal entusiasmo: - "Viva a Independência do Brasil" - "Viva o Imperador Constitucional do Brasil"! "Viva o Rei Constitucional do Brasil."

E porque quando a opinião dominante se declara decisivamente, é da nossa obrigação e de todas as Câmaras, ancaminhá-las ao único, e verdadeiro fim, a que se dirigem os votos e trabalhos de todos os verdadeiros brasileiros: - Independência, e Liberdade pela Constituição, debaixo de uma Monarquia Constitucional - a fim de acautelar que algum passo precipitado apresente com as cores de partido faccioso um Ato, que a vontade de todo o Povo requer, e que por esta razão, e pela importância das suas conseqüências de ve aparecer à face do Mundo inteiro revestido das fórmulas solenes que estão adotadas, e reconhecidas por iniciativa da vontade unânime dos Povos; temos acordado fazer Aclamar solenemente no dia 12 de outubro o Senhor Dom Pedro de Alcântara, hoje Príncipe Regente do Brasil, e seu Defensor Perpétuo, 1.º Imperador Constitucional do Brasil; prestando o mesmo Senhor previamente um juramento solene de jurar, guardar, manter e defender a Constituição, que fizer a Assembléia Geral Constituinte e Legislativa Brasileira.

E entendemos que devíamos apressar-nos em comunicar esta resolução a Vossas Senhorias, não só para que não parecêssemos obrar com excesso da medida que naquela Carta propusemos à deliberação de Vossas Senhorias, e antes de sabermos oficialmente a vontade das Câmaras que consultamos; mas também por que será muito importante à causa do Brasil, muito glorioso ao acerto com queeste vai dirigindo a grande obra de sua Independência, e de muita admiração finalmente para os Povos expctadores de nossa conduta, se no mesmo dia 12 de outubro for S. A. R. Aclamado Imperador Constitucional em todas, ou quase todas as Províncias coligadas, como esperamos.

Deus Guarde a Vossas Senhorias.

Rio de Janeiro, em Vereação extraordinária de 17 de setembro de 1822.

Ilustríssimos Senhores Presidente, Vereadores, e mais Oficiais do Senado da Câmara da Vila de Taubaté.
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José Clemente Pereira
João Soares de Bulhões
José Pereira da Silva Manoel
Dom. os Vian.ª G.el do Amaral
José Ant.º dos Santos Xavier

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Convênio de Taubaté. Valorização do comércio do café e melhoria do seu consumo
(26 fev. 1906)

Convênio entre os Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, para o fim de valorizar o café, regular o seu comércio, promover o aumento do seu consumo e a criação da Caixa de Conversão, fixando o valor da moeda.
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Art. 1o Durante o prazo que for conveniente, os Estados contratantes obrigam-se a manter, nos mercados nacionais, o preço mínimo de 55 a 65 frs. em ouro, em moeda corrente do País, ao câmbio do dia, por saca de 60 quilos de café, tipo 7, americano, no primeiro ano; este preço mínimo poderá ser posteriormente elevado até o máximo de 70 frs., conforme as conveniências do mercado. Para as qualidades superiores, segundo a mesma classificação americana, os preços indicados serão aumentados proporcionalmente nos mesmos períodos.
Art. 2o Os governos contratantes, por meio de medidas adequadas, procurarão dificultar a exportação para o estrangeiro, dos cafés inferiores ao tipo 7, e favorecer, no que for possível, o desenvolvimento do seu consumo no país.
Art. 3o Os Estados contratantes obrigam-se a organizar e manter um serviço regular e permanente de propaganda do café, com o fim de aumentar o seu consumo, quer pelo desenvolvimento dos atuais mercados, quer pela abertura e conquista de novos, quer pela defesa contra as fraudes e falsificações.
Art. 4o Os governos contratantes, quando for julgado oportuno, estabelecerão os tipos nacionais de café, promovendo a criação de bolsas ou câmaras sindicais para o seu comércio; de acordo com os novos tipos, serão então fixados os preços, a que se refere o art. 1o.
Art. 5o Aos produtores de café serão facultados os meios de melhorar as qualidades do produto pelo rebenefício.
Art. 6o Os governos contratantes obrigam-se a criar uma sobretaxa de 3 frs., sujeita a aumento ou diminuição, por saca de café que for exportada por qualquer dos seus Estados e bem assim manter as leis que neles dificultam, por impostos suficientemente elevados, o aumento das áreas dos terrenos cultivados com café, nos seus territórios, pelo prazo de dois anos, que poderá ser prorrogado por mútuo acordo.
Art. 7o O produto da sobretaxa, de que trata o artigo anterior, paga no ato da exportação, será arrecadado pela União e destinado ao pagamento dos juros e amortização dos capitais necessários à execução deste convênio; sendo os saldos restantes aplicados ao custeio das despesas reclamadas pelos serviços do mesmo, começando-se a cobrança da sobretaxa, depois de verificado o disposto no art. 8o.
Art. 8o Para a execução deste convênio, fica o Estado de São Paulo, desde já, autorizado a promover, dentro ou fora do País, com a garantia da sobretaxa de 3 frs., de que trata o art. 6o e com a responsabilidade solidária dos três Estados, as operações de crédito necessárias até o capital de 15 milhões de libras esterlinas, o qual será aplicado como lastro para a caixa de emissão ouro e conversão, que for criada pelo Congresso Nacional, para a fixação do valor da moeda.
§ 1o O produto da emissão sobre este lastro será aplicado, nos termos deste convênio, na regularização do comércio de café e sua valorização, sem prejuízo para a caixa de conversão, de outras dotações para fins criados em lei.
§ 2o O Estado de São Paulo, antes de ultimar as operações de crédito, assim indicadas, submeterá as suas condições e cláusulas ao conhecimento e aprovação da União e dos outros Estados contratantes.
§ 3o Caso se torne necessário o endosso ou fiança da União, para as operações de crédito, serão observadas as disposições do art. 2o, no 10, da Lei no 1.452, de 30 de dezembro de 1905.
Art. 9o A organização e direção de todos os serviços de que trata este convênio serão confiadas a uma comissão de três membros, nomeados um por cada Estado, sob a presidência de um quarto membro, apenas com voto de desempate, e escolhido pelos três Estados.
Parágrafo único. Cada diretor terá um suplente de nomeação, igualmente, dos respectivos Estados, que o substituirá em seus impedimentos.
Art. 10. A comissão, de que trata o artigo antecedente, criará todos os serviços e nomeará todo o pessoal necessário à execução do convênio, podendo confiar, em parte, a sua execução, a alguma Associação ou Empresa Nacional, sob sua imediata fiscalização, tudo na forma do regulamento.
Art. 11. A sede da comissão diretora será a cidade de São Paulo.
Art. 12. Para a execução dos serviço deste convênio, a comissão organizará o necessário regulamento, que será submetido à aprovação dos Estados contratantes, os quais, no prazo de 15 dias, se pronunciarão sobre o mesmo, sob pena de considerar-se aprovado, por aquele que o não fizer.
Art. 13. Os encargos e vantagens resultantes deste convênio serão partilhados entre os Estados contratantes, proporcionalmente à quota de arrecadação da sobretaxa, com que cada um concorrer pela forma estabelecida no regulamento.
Art. 14. Os Estados contratantes reconhecem e aceitam o Presidente da República como árbitro, em qualquer questão que entre os mesmos se possa suscitar, na execução do presente convênio.
Art. 15. O presente convênio vigorará desde a data da sua aprovação, pelo Presidente da República, no termos do no 16 do art. 48 da Constituição Federal
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Paço Municipal de Taubaté, 26 de fevereiro de 1906. - Nilo Peçanha - Francisco Sales - Jorge Tibiriçá.

(*) Assinado pelos governadores do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo

Colaboração : jeobruno@superig.com.br