Amacio Mazzaropi

Mazzaroppi, um “taubateano de coração” que adotou a cidade com sua história e tradição, assimilando o perfil do interiorano e transportando-o para os palcos e telas de cinema através de suas magníficas interpretações.

Mazzaropi sintetizou gestos, manias e caráter do caipira que se transferiu das áreas rurais para as urbanas nas décadas de 50-60. Mazzaropi atingiu o fundo arcaico da sociedade brasileira e de cada um de nós. Representou o caipira aparentemente simplório mas esperto e que na verdade, usa o bom senso e a astúcia para sobreviver na selva urbana. Não para menos que um dos maiores sucessos da carreira do Mazzaropi tenha sido “JECA TATU”, de 1959, em que fez uma releitura do tipo brilhantemente fixado por Monteiro Lobato em seus aspectos cômicos, sociológicos e claro, conservadores. O Jeca foi o bom arquétipo interpretado fielmente por Mazzaropi.

Há um enaltecimento a Chaplin e um destacar de Mazzaropi por parte dos críticos, uma vez que seus padrões de avaliação consideram somente cômicos que venham revestidos de um papel poético, formalmente refinados ou então escrachados. Mazzaropi fazia filmes que deveriam ser vistos e avaliados pela ótica de entretenimento e como documento histórico. O seu objetivo foi caracterizar o homem rural que em algumas situações tenta se urbanizar. Podemos verificar em seus filmes a história de uma parcela da população brasileira especificamente do mineiro e valeparaibano.

Considerando o artista e empresário, recordando a carreira do Mazzaropi – um artista de circo que encontrou no cinema um meio privilegiado de expressão – equivale a mergulhar num passado nem tão distante em busca de luzes que nos esclareçam sobre inúmeros aspectos. Na frente das câmeras, por exemplo, ele soube como poucos fazer o grande público identificar-se com seus personagens, fossem eles urbanos ou rurais. Atrás delas, tornou-se um negociante matuto que aprendeu rapidamente as regras do mercado e sobreviveu por décadas como seu próprio patrão num meio infestado de “tubarões”. Apenas o cinema de um pais desmemoriado poderia ter a pretensão de voltar-se para o futuro sem examinar detalhadamente, com a isenção que o tempo agora permite, uma trajetória rica como a de Mazzaropi.

Cabe-nos aqui ressaltar o resgate histórico cultural feito pelo MISTAU (Museu de Imagem e Som de Taubaté), recentemente inaugurado e que tem como parte de seu acervo, vastos documentos, inclusive filmes (coleção completa) que se encontram à disposição do público que desejar entrar em contato com essa parte da nossa história, brilhantemente caracterizada e satirizada pelos personagens criados por esse grande artista MAZZAROPI.

BIOGRAFIA – MAZZAROPI

AMACIO MAZZAROPI, nasceu na cidade de São Paulo, aos 09 de abril de 1912, filho do imigrante italiano Bernardo Mazzaropi e de Clara Pereira, filha de portugueses. O casal residia na região central da capital e são Paulo.

Desde garoto, dava mostras de seus dotes artísticos para comediante quando era levado pelo pai à sua loja de tecidos, numa tentativa de atrai-lo para aquela atividade comercial. O menino divertia-se detrás do balcão contando anedotas de sua própria autoria, aos fregueses da loja.
Aos catorze anos (1924), Mazzaropi ingressou no mundo artístico, trabalhando em circo como auxiliar de faquir.

Aos vinte anos (1932), na tentativa de afasta-lo do meio artístico, seu pai conseguiu para ele, um emprego na C.T.I. (Companhia Taubaté Industrial) e por essa razão, Mazzaropi mudou-se para Taubaté, terra natal de sua mãe, onde acabou representando e imortalizando o personagem de Monteiro Lobato, o “Jeca”, um autentico caipira valeparaibano. Nessa mesma época, Mazzaropi trabalhou no “Teatro do Soldado”, cuja renda revertia em beneficio das famílias dos soldados paulistas mortos na Revolução Constitucionalista (1932).

Dois anos mais tarde (1934), Mazzaropi conseguiu montar o “Pavilhão Mazzaropi”, o primeiro circo “quadrado Itinerante” do país.

Pouco depois, Mazzaropi assinou contrato para trabalhar com a companhia de teatro “Mambembe”de Nino Mello, estreando em São Paulo no Cine-Teatro Oberdan. Posteriormente, organizou sua própria companhia teatral, voltando a apresenta-se no teatro Oberdan, onde Costa Lima, diretor artístico da Rádio Tupi, o conheceu e o contratou.

Na Rádio Tupi, onde estreou em 1946 com o programa “Rancho Alegre”, ele permaneceu durante oito anos (1954), tendo participado da inauguração da Tv Tupi de São Paulo (1950) e da Tv Tupi do Rio de Janeiro (1951).

No decorrer de sua carreira, de mais de cinqüenta anos, Mazzaropi desempenhou trabalho em circo, teatro, rádio, televisão e, finalmente, no cinema, onde seu conhecido personagem, o “Jeca” tornou-se imortal nos seus trinta filmes posteriores.

Mazzaropi fez sua estréia no cinema com o filme “Sai da Frente” (1951), uma produção da Companhia Cinematográfica “Vera Cruz”, de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Desde o seu primeiro filme até “Chico Fumaça” (1956), onde Mazzaropi atuou apenas como ator. Em 1958, tendo alugado os estúdios da “Vera Cruz”, produziu seu primeiro filme independente “Chofer de Praça” pela Pam Filmes – Produção Cinematográfica Amacio Mazzaropi, passando a acumular a partir de então, as funções de ator, produtor, roteirista e argumentador.

Na década de 70, já com a Pam Filmes totalmente estruturada e instalada na Fazenda Santa em Taubaté, Mazzaropi produziu alguns filmes, satirizando grandes sucessos comerciais de Holywood, como o “Jeca contra o Capeta” (1975) – uma sátira do “Exorcista”. Nos estúdios da Pam Filmes, em Taubaté, foram produzidos dezoito de seus filmes, todos eles contando com a participação de Geni Prado, interpretando, invariavelmente a “mulher do Jeca”, e que atuou ao lado do Mazzaropi em vinte e um filmes.

Quase sempre ignorado pelos intelectuais que apenas começaram a aceitar a existência desse cinema “popularesco”, Mazzaropi faleceu aos 13 de junho de 1981, em São Paulo, aos 69 anos de idade, solteiro, deixando um filho adotivo, Péricles Moreira, filho de sua empregada. Foi sepultado na vizinha cidade de Pindamonhangaba, ao lado de seu pai.

 



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