Nossa
Senhora do Pilar é o mais antigo título da Virgem Maria,
pois surgiu quando a Mãe de Jesus ainda vivia. A narrativa
legendária do acontecimento que deu origem a esta invocação
é baseada numa tradição cristã de mais de 1.900 anos e diz
o seguinte: São Tiago Maior foi incumbido de ir pregar a
palavra de Deus nas províncias da Espanha e, antes de partir,
foi pedir a licença e a bênção de Maria Santíssima. Após
sua bênção a Virgem Santíssima pediu-lhe que além de converter
os fiéis edificasse em sua memória conforme o que Ela lhe
manifestasse.
Tendo partido para a Espanha, certa noite estava São Tiago
descansando quando viu, em aparição, a Virgem Santíssima.
Sentada em um pilar de mármore, cercada por um coro de anjos,
ELA mostrou-lhe o lugar onde queria que fosse edificada
a sua igreja e disse-lhe que conservasse aquela coluna e
a colocasse no altar do templo, pois aquele pilar permaneceria
ali até o fim do mundo.
Extraordinariamente difundida em terras de Espanha essa
devoção aportou no Brasil no período do domínio espanhol.
Introduzida no nordeste brasileiro localizou-se em Sergipe
e Pernambuco. Em Minas Gerais a precursora dessa devoção
foi a cidade de Ouro Preto.
A Capela de Nossa Senhora do Pilar é um conjunto arquitetônico
que constituiu um importante patrimônio histórico e artístico
de grande significação, tanto local, como regional e nacional,
fato este que se comprova pelo seu tombamento histórico
realizado pelo SPHAN (Serviço do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional) e pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa
do Patrimônio Histórico, Arquitetônico, Artístico e Turístico
do Estado), em 1944.
É uma das poucas capelas do período colonial ainda existente
no Estado de São Paulo que apresenta um estilo arquitetônico
totalmente diverso do Colonial Paulista, pois suas características
são do colonial mineiro.
Artisticamente a Capela do Pilar representa a arte barroca
herdada do ouro das Minas Gerais, embora bem mais pobre.
É a única que se conserva intacta até os dias atuais, conservando
o seu original.
Tanto a Capela quanto o seu equipamento de culto (alfaias,
altares, imagens, etc.) refletem a realidade material e
cultural dos pequenos povoados e vilas brasileiras do período
colonial, fruto do trabalho escravo (indígena e africano),
bem como refletem a opulência econômica de origem agrária
e latifundiária.
A Capela do Pilar foi construída entre 1748 a 1760 por Timóteo
Correa de Toledo, taubateano da tradicional família paulista
dos Toledo Piza.
Devoto de Nossa Senhora do Pilar, decidindo difundir seu
culto, solicitou ao Bispo D. Bernardo Rodrigues Nogueira
permissão para levantar uma ermida dedicada à Nossa Senhora
do Pilar.
Contratou com o oficial de carpinteiro Francisco Veloso
de Aguiar a construção da capela, que seria feita de taipa
de pilão, coberta de telha vã, portas almofadadas, janelas
com gelosias de esteira.
Teria três altares: o altar-mor, com um trono de seis degraus,
e mais dois altares laterais, sendo um à direita e outro
à esquerda da nave principal. Dois púlpitos, dois confessionários,
duas pias batismais e bancos necessários completariam o
interior da capela.
A construção foi orçada em duzentos e cinqüenta mil réis.
A capela deve ter ficado concluída por volta de 1760. Timóteo
Correa de Toledo enviuvou em 1759 e se ordenou padre nos
primeiros anos dessa mesma década de 1760, permanecendo
até a morte como zelador da ermida que fizera erigir.
Ao contrário do Convento Santa Clara e a Capela de Nossa
Senhora do Rosário dos Homens Pretos, localiza - se dentro
do perímetro urbano, conforme mostra planta executada em
1821 pelo pintor francês Arnaud Julien Palliere. Sua construção
está diretamente ligada ao Ciclo da Mineração nas Minas
Gerais, ocorrido no século XVIII. Foi construída em “taipa-de-pilão”,
com paredes grossas, tendo um único corpo. A Capela do Pilar
representa um pálido reflexo da opulência adquirida pelas
vilas que surgiram naquela região, em decorrência do chamado
“Ciclo do Ouro” e que hoje são as conhecidas “Cidades Históricas”
de Minas Gerais, Ouro Preto, Mariana, Sabará, São João Del
Rey e Tiradentes, dentre outras. Taubaté por ter se tornado
centro e área rural que abastecia as zonas de mineração
e das tropas que pelo vale transitavam, privilegiou-se,
pois as famílias que constituíam o núcleo taubateano, delas
saíram bandeirantes que faziam doações às capelas e igrejas
do fruto de suas incursões pelos sertões.
Sendo assim, a Capela do Pilar foi fartamente presenteada.
A construção da Capela do Pilar só foi possível quando um
negociante e fazendeiro local, Timóteo Côrrea de Toledo,
pertencente a Irmandade Nossa Senhora do Pilar de Taubaté
(representada por homens de negócio, comerciantes e pequenos
proprietários), teve a iniciativa de custear uma parte das
obras, arrecadando o restante com outros devotos. Como Provedor
da Irmandade, cabia a ele gerenciar os bens em dinheiro
e propriedades, vinculados à Padroeira; sendo seu encargo
obter os meios de ornamentar a Capela, bem como organizar
suas festas e eleições anuais. Pelo seu desempenho junto
à Irmandade, Timóteo Corrêa de Toledo, favoreceu o seu crescimento
e o culto à Nossa Senhora do Pilar.
Com isso, garantiu para si próprio e seus familiares o privilégio
de serem sepultados em espaço nobre do Templo. Após enviuvar,
ordenou-se padre tendo exercido sacerdócio em Taubaté e
Pindamonhangaba, sendo durante muitos anos o responsável
pela administração geral da Capela do Pilar. Quando morreu
em 1788, foi enterrado junto ao Convento Santa Clara, uma
vez que deixou ordens expressas para tanto. A administração
da Capela do Pilar passou para os seus descendentes, muitos
dos quais foram cléricos.
Apesar da Capela do Pilar apresentar em seu conjunto um
arquitetura e decoração muito modestas, se compararmos a
outras do mesmo período (Minas Gerais e Bahia), forma um
monumento arquitetônico bastante expressivo do estilo barroco,
com manifestações da sua última fase, o rococó, introduzido
na Capitania de São Vicente em meados do século XVIII.
A Capela do Pilar representa um importante patrimônio histórico-cultural,
“Documento Arquitetônico” do período colonial brasileiro
com influência mineira em pleno Vale do Paraíba Paulista.
Sua conservação e valorização são importantes para a preservação
da memória e identidade do taubateano.
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