
PRAÇA
SANTA TEREZINHA
Remotamente, o viajante que, saindo de Taubaté em direção à cidade de São Paulo, percorrendo a estrada pública que atravessava o córrego do Judeu, hoje rua Dr. Emílio Winther, passaria por uma grande área, à sua esquerda, conhecida pelo nome de largo da Forca. Conta-nos a lenda que o filho de um grande fazendeiro de café teria sido assassinado por um dos escravos de seu pai. Aquele, teria pago pelo seu crime subindo no patíbulo construído nesse largo, que daí em diante ficou conhecido como largo da Forca. Entretanto, antigos jornais da terra trazem o seguinte esclarecimento: “o único ali executado foi Feliciano de Tal – o Felicianinho, assassino de sua mulher em circunstâncias pavorosa. O juiz da Sentença, vivamente impressionado, consentiu na mesma, sem o recurso de graça para o Imperador, infenso às penas últimas. Foi advertido, viu seu nome na lista negra e sua carreira cortada.” Com o passar do tempo, ao longo das transformações que se processaram, essa região passou a ser conhecida como largo do Padre Fogaça. Em 1873, por proposta do vereador Assis Moura, a Câmara taubateana aprovou a mudança de nomes de alguns logradouros, entre eles o largo do Padre Fogaça que passou a ser conhecido como Largo Costa Guimarães. Antônio Moreira da Costa Guimarães, filho do C.el Victoriano Moreira da Costa último Capitão Mor de Taubaté, foi Capitão da Guarda de Honra de D. Pedro I, Deputado Provincial e Deputado à Assembléia Geral do Império. Em 1891 com a construção da Cadeia nova em uma das extremidades dessa vasta praça, seu nome começou a ser popularmente conhecido como largo da Cadeia. Por aproximadamente 30 anos esse espaçoso largo da cidade era conhecido tanto pelo nome oficial – Largo Costa Guimarães – como pelos nomes populares: largo da Forca ou da Cadeia. Em 1923, na extremidade oposta, começou a ser erigido, pela Bispado de Taubaté, na pessoa de Bispo D. Epaminondas Nunes de Ávila e Silva, o Santuário de Santa Teresinha do Menino Jesus. Este santuário tornou-se um marco na arquitetura da cidade. Com seu estilo imitando o gótico, possui grande beleza interna e externa. Em 1932 o Major João Cândido Zanani de Assis, Interventor no Município de Taubaté, considerando que a Praça Comendador Costa Guimarães, também conhecida como da Forca e/ou da Cadeia abrangia uma grande área de terreno, o que acarretava dificuldades na entrega de correspondências, embaraço ao comércio e peso em geral, resolveu dividi-la em duas áreas ficando a região, onde estava o santuário, oficialmente denominada Praça Santa Teresinha, e a parte onde se localizava a Cadeia continuaria com a nomenclatura de Praça Comendador Costa Guimarães. Em 1964, na gestão do prefeito Jaures Guisard, unificou-se a nomenclatura do logradouro ficando denominada PRAÇA SANTA TERESINHA as duas partes conhecidas como praça Santa Teresinha, onde ficava o santuário e, praça Comendador Costa Guimarães, onde, no passado, havia a Cadeia. SANTUARIO DE SANTA TEREZINHA Em 1923, o Revmo. Pe. Florêncio Luiz Rodrigues dedicado as obras da Diocese, resolveu fundar na vila de pobres Irmã Santa Terezinha, uma capela em nome de Santa Terezinha (cuja canonização era esperada) e dedicada a Adoração Perpétua do Santíssimo. Aconselhado por diversas pessoas a construí-la na praça da Cadeia ao invés de na vila de pobres, sendo aprovada a idéia por Sua Eminência, Bispo Dom Epaminondas que decidiu optar pela construção de um majestoso “Santuário”. Assim, em “sessão ordinária”, a Câmara Municipal, deliberou ceder gratuitamente uma parte da Praça Comendador Costa Guimarães para nela ser construído o “Santuário de Santa Terezinha”. Contando com este valioso auxilio, foi feita a planta do Santuário e da casa presbitério e confiado ao construtor, Sr. Camilo Gomes Quintanilha, sob a imediata fiscalização do Pe. Florêncio. A autoria do projeto foi de Alfredo Julio Guilherme (construtor) e de seu filho Arthur Afonso Guilherme (desenhista projetista). O único detalhe que saiu contrario ao projeto original foi a torre. Ainda em 1923 foram iniciadas as escavações para os alicerces num terreno sólido e uniforme. Aos 17 de maio de 1925, Santa Terezinha de Lisieux, foi canonizada. No mesmo ano, aos 30 de maio, foi inaugurada a Pia Batismal, doada pelo Sr. David Cursino, colocada na entrada da igreja, do lado esquerdo. Três anos após o inicio da construção, a Câmara Municipal de Taubaté, prestou grande auxilio ao projeto, considerando que a construção do Santuário seria uma obra arquitetônica que embelezaria a cidade e traria direta ou indiretamente melhoramentos públicos, uma vez que grande público afluiria ao local. Aos 15 de janeiro de 1928, três anos após a sua ordenação sacerdotal, o Pe. Cícero de Alvarenga era nomeado vigário da Paróquia, desmembrada da paróquia da Catedral pelo Primeiro Bispo Diocesano Dom Epaminondas Nunes de Ávila e Silva. A partir de 1929, por determinação Diocesana, todos os atos paroquiais passaram a ser feitos no Santuário de Santa Terezinha, após a sua solene inauguração aos 24 de setembro do mesmo ano. A 19 de outubro de 1947 foi inaugurada a nave central do templo (revestimento completo), completando-se a parte interna, em 1950, como o revestimento das naves laterais. Em 1953 foi inaugurada a Torre do Santuário. Aos 30 de maio de 1957 foi inaugurado o artístico paravento da porta principal, executado sob croquis da firma “Vitrais Conrado Sargenicht S/A”: todo de madeira cabriúva, composto de quatro portas de abrir e duas portas fixas, sendo duas partes fixas forradas completamente da mesma madeira, com dois quadros para avisos paroquiais. Os vitrais em finíssima execução ornamentavam as duas portas do centro representando a “Apoteose de Santa Terezinha”. Em março de 1961 foi concluída a pintura da Capela Mor, de acordo com plano elaborado pelo pintor taubateano Álvaro Pereira e aprovado pela comissão de arte Sacra da Diocese, sendo que após dois anos, no mês de março, foi concluída a pintura da nave central, em 1965, no mês de agosto, foram inaugurados os altares do Sagrado Coração de Jesus e de São José, ambos de mármore; inauguração também da pintura interna e dos doze apóstolos da entrada do templo. O Santuário de Santa Terezinha é um marco na arquitetura da cidade, como o seu estilo neo-gótico, possui grande beleza interna e externa. Tem em seu interior, no altar-mor, artístico grupo de imagens confeccionadas na Espanha. Possui também um relicário da “Santinha de Lisieux”. Trata-se de uma edificação de relevante importância, pois além de ser sede de umas das Paróquias do Município, é nele que ocorrem a grande maioria dos momentos solenes da cidade. Situa-se em extensa e bem urbanizada praça, com “playground”, gramado, flores e arvoredo formado por Sibipirunas, Ipês, Caneleiras, Pau-Brasil, Flamboyants, Quaresmeiras, Acácias, Cerejeiras e outras espécies da flora nacional e de outros paises. O Santuário de Santa Terezinha reflete o carinho e o amor que a população dispensa a Santinha das Rosas. É um local agradável que favorece o lazer e a realização de comemorações religiosas e profanas, sendo ainda importante pulmão verde da cidade. RELICÁRIO
RELÓGIO SINO |
| A
Santa Terezinha
Muito tempo antes de existir a Igreja de Santa Terezinha, aquela praça era o local em que ocorriam as práticas de enforcamento em praça pública. Por causa desta prática que existia no Brasil colonial esta praça era denominada Largo da Forca. É interessante lembrar que ali ocorreu o enforcamento de um cidadão justamente no dia que houve a extinção desta lei no Brasil, durante os últimos anos da dominação portuguesa no Brasil. A prática do enforcamento em praça pública é antigos na história da humanidade, e foi o Tribunal da Inquisição o órgão que mais usou esta prática tanto no Brasil quanto na Europa. A igreja de Santa Terezinha começou a ser construída na década de 20 pela diocese de Taubaté quando D. Epaminondas Nunes de Ávila e Silva ainda era bispo de Taubaté. Sua construção contou com a doação dos cidadãos taubateanos da época e de investimentos constantes por parte da cúria. A Igreja de Santa Terezinha é uma construção seguindo o estilo gótico do Século XII e XIII, surgido na Alemanha que dizia que a igreja deveria ser a mais alta possível para atingir aos céus, o lugar onde mora o criador. A foto de hoje mostra a Igreja Santa Terezinha ainda incompleta, parte da torre sineira ainda estava por ser rebocada e a torre ainda não havia sido feita devido a um erro de engenharia. As paredes da torre sineira não foram feitos com resistência suficiente para suportar a torre de alvenaria, então a Companhia Predial de Taubaté para corrigir o erro substituiu por uma torre de metal que está até hoje na Igreja. O
Santuário de Santa Terezinha foi um projeto audacioso
para a época como podemos ver ao ler o jornal “O Lábaro”,
devido ao custo da obra e da viabilidade de recursos. |


Abaixo - detalhes do Santuario
